GUIA

Qual CE o pó de coco precisa ter para morango, tomate, mudas e hidroponia

As faixas de condutividade elétrica de cada tratamento do pó de coco, as culturas indicadas para cada faixa, por que a casca varia tanto e como fixar o limite no contrato.

Atualizado em 2026-09-13

01 · Resposta direta.

Depende da tolerância da cultura ao sal. Na linha Carve, o pó de coco Natural mede 0,8 a 1,5 mS/cm (extrato 1:5) e atende café, eucalipto clonal, citrus, paisagismo e hortaliças de folha. O Lavado fica abaixo de 0,7 mS/cm e atende ornamentais em vaso, mudas florestais e hortaliças em semi-hidroponia. O Tamponado fica abaixo de 0,5 mS/cm e é o indicado para morango, tomate, flores, orquídeas, semeadura e cultivo orgânico.[4] A CE é medida em todo lote e o limite vai no contrato.

TratamentoCE (1:5)Culturas indicadas
Natural (sem lavagem)0,8 a 1,5 mS/cmCafé, eucalipto clonal, citrus, paisagismo, hortaliças de folha
Lavado< 0,7 mS/cmOrnamentais em vaso, mudas florestais, hortaliças semi-hidro
Tamponado< 0,5 mS/cmMorango, tomate, flores, orquídeas, semeadura, orgânicos

Faixas publicadas na ficha técnica do Pó Fino de Coco. CE medida por lote; o tratamento é definido em contrato com o cliente.

02 · Por que a CE da casca de coco varia.

A casca de coco seco crua tem CE documentada de 0,4 a 6,0 mS/cm (1:5) segundo a EMBRAPA, uma variação de 15 vezes dentro do mesmo material.[1] Isso acontece porque os sais estão na própria casca, não em contaminação externa:

  • Potássio 1,60 %, cloro 1,80 % e sódio 0,38 % na casca seca, segundo a Tabela 1 da EMBRAPA.[1]
  • O pH da casca seca crua fica entre 4,9 e 6,0.[1]
  • A meta de lavagem citada pela EMBRAPA é CE abaixo de 1,0 mS/cm.[1]
  • Por isso nenhuma ficha séria publica um único valor de CE para pó cru: o que se publica é a faixa de cada tratamento e a medição por lote.

03 · Quais culturas são sensíveis ao sal.

O webinar de Adalberto Romero, com mais de 20 anos na indústria de substrato de coco, cita alface, morango e mirtilo entre as culturas sensíveis ao sal, e explica o mecanismo que separa o pó lavado do tamponado:[2]

  • A água sozinha não desloca o sódio e o potássio presos no complexo orgânico do coco. Só o cálcio ou o magnésio fazem isso.[2]
  • Em cultura sensível com pó apenas lavado, a fertirrigação com cálcio e magnésio faz esse deslocamento dentro do cultivo, e o sódio e o potássio liberados chegam à raiz.[2]
  • O tratamento com cálcio ou magnésio usa um dos dois, não ambos, e a lavagem final retira o excesso.[2]
  • Por isso morango, tomate, flores, orquídeas e semeadura recebem o Tamponado na tabela da Carve, e não apenas o Lavado.[4]

David Cadena, da DidiQ Global, acrescenta que o coco dá ao produtor um colchão de manejo para CE e pH que substratos sintéticos não dão, e que, em viveiro que passa depois para produção em coco, o ideal é coco em ambas as fases.[3] Para o detalhe de cada processo, veja pó de coco lavado ou natural: qual escolher.

04 · Como a CE é medida e informada.

  • Método: extração 1:5 em volume, condutivímetro calibrado, em todo lote.[4]
  • A proporção do extrato muda o número lido: uma extração 1:1,5 dá valores diferentes de uma 1:5. Compare fichas apenas quando a proporção for a mesma.[5]
  • O resultado é impresso na etiqueta e aberto pelo QR de cada saco, junto com pH, umidade, densidade e granulometria.[4]
  • Lote fora do limite contratado não embarca.[4]

O que aparece no laudo e como conferir cada número está em o que vem no laudo do lote.

05 · Como fixar a CE certa no contrato.

  • Diga a cultura e a fase (semeadura, muda, produção). A tabela da seção 01 aponta o tratamento.
  • Escolha o tratamento pelo processo (Natural, Lavado ou Tamponado), não por um número isolado.
  • Fixe um teto de CE (1:5) no contrato. Formuladores costumam fixar um teto e corrigir a CE na mistura final.[4]
  • Peça o laudo do lote antes do embarque e confira o QR no recebimento.

Dados cadastrais e de localização da empresa estão em fatos da empresa.

06 · Perguntas frequentes.

O pó de coco natural serve para morango?

Não como indicação padrão: para morango a Carve indica o pó de coco Tamponado, com CE abaixo de 0,5 mS/cm (1:5). O morango está entre as culturas sensíveis ao sal citadas no webinar de Adalberto Romero, e nessas culturas o pó apenas lavado traz um risco: quando o produtor fertirriga com cálcio e magnésio, esses íons deslocam o sódio e o potássio presos na estrutura orgânica do coco, que voltam para a zona radicular.

Qual CE o pó de coco precisa ter para tomate?

Na linha Carve o tratamento indicado para tomate é o Tamponado, com CE abaixo de 0,5 mS/cm (1:5), o mesmo indicado para morango, flores, orquídeas, semeadura e cultivo orgânico. Hortaliças em semi-hidroponia de forma geral usam o Lavado, abaixo de 0,7 mS/cm. O limite exato é fixado no contrato e conferido no laudo de cada lote.

Qual CE o pó de coco precisa ter para mudas e viveiros?

Mudas florestais e ornamentais em vaso usam o Lavado, com CE abaixo de 0,7 mS/cm (1:5). Eucalipto clonal, café e citrus estão entre as culturas indicadas para o Natural, de 0,8 a 1,5 mS/cm, com limite em contrato. Semeadura de culturas sensíveis usa o Tamponado, abaixo de 0,5 mS/cm.

CE 1:5 e CE 1:1,5 são a mesma coisa?

Não. A proporção entre substrato e água do extrato muda o número lido no condutivímetro, e uma proporção 1:1,5 dá valores diferentes de uma proporção 1:5. Todas as faixas desta página e o laudo da Carve usam o extrato 1:5 em volume. Ao comparar fichas de fornecedores diferentes, confira a proporção antes de comparar os números.

Por que a Carve não publica um único valor de CE para o pó de coco?

Porque a casca de coco seco crua tem CE documentada de 0,4 a 6,0 mS/cm (1:5) na literatura da EMBRAPA, uma variação de 15 vezes que vem dos sais naturais da própria casca (potássio 1,60 %, cloro 1,80 %, sódio 0,38 %). Um valor único não descreveria o material. O que a Carve publica é a faixa de cada tratamento, a medição em todo lote e o limite fixado em contrato.

07 · Fontes.

  1. EMBRAPA Tabuleiros Costeiros, Comunicado Técnico 226 (COT-226-19): CE crua 0,4-6,0 mS/cm, pH 4,9-6,0, meta de lavagem abaixo de 1,0 mS/cm, composição K 1,60 % / Cl 1,80 % / Na 0,38 % da casca seca.
  2. Webinar Ing. Adalberto Romero (Science Fetti / El Semillero, Colômbia, 2025): culturas sensíveis ao sal, água não desloca Na/K do complexo orgânico, tratamento com Ca ou Mg, risco do pó apenas lavado em cultura sensível.
  3. Webinar Lic. David Cadena (DidiQ Global, México, hospedado por Riego Rotoplas): colchão de manejo de CE e pH do coco, recomendação coco-para-coco entre viveiro e produção.
  4. Ficha técnica pública do Pó Fino de Coco e página Qualidade da Carve: faixas por tratamento, método 1:5, medição por lote, QR por saco.
  5. Procedimento de bancada da Carve: proporção do extrato declarada em todo resultado, porque 1:1,5 e 1:5 dão leituras diferentes.
CARVE
Sobre esta página. Escrita e mantida pela Carve Biorrefinaria Agroindustrial Ltda, produtora de pó e fibra de coco em Paraipaba, Ceará. Os números são reproduzidos como publicados pelas fontes citadas ou como constam na ficha técnica pública da Carve. Correções e fontes adicionais: comercial@carvebio.com.br. Primeira publicação em 13 de setembro de 2026.

Pó fino de coco do Ceará, natural, lavado ou tamponado

CE medida em todo lote, com limite fixado em contrato. Veja a ficha técnica ou fale com a equipe pelo formulário de contato.